Canalizações e Qualidade da Água: O Que Acontece Antes de a Água Chegar à Torneira?
Quando abrimos uma torneira e a água começa a correr, raramente pensamos em todo o percurso que foi necessário para que chegasse até nossa casa.
Por baixo das ruas existe uma extensa rede de condutas, válvulas, reservatórios e estações elevatórias responsável por transportar a água desde as instalações de tratamento até aos consumidores.
Estas infraestruturas são fundamentais para o funcionamento das cidades. No entanto, à medida que envelhecem, aumentam também os desafios relacionados com perdas de água, manutenção e eficiência das redes.
O desafio das redes envelhecidas
Uma parte das redes de abastecimento portuguesas foi instalada há várias décadas e necessita de renovação progressiva.
Com o passar do tempo, as tubagens podem sofrer desgaste provocado por fatores como:
- Corrosão;
- Movimentos do terreno;
- Variações de pressão;
- Degradação das juntas;
- Obras realizadas nas proximidades;
- Envelhecimento dos próprios materiais.
Estas condições podem provocar fugas e aumentar as necessidades de manutenção.
Perdas de água: um recurso que nunca chega ao consumidor
Um dos principais problemas das redes de distribuição são as chamadas perdas reais de água.
Estas resultam sobretudo de fugas em condutas, ramais e outros componentes da infraestrutura.
Quando existe uma fuga, perde-se muito mais do que água.
Antes de entrar na rede, essa água já foi:
Captada → Tratada → Bombeada → Armazenada → Distribuída
Ou seja, a perda representa também energia, tratamento e recursos económicos desperdiçados.
Por isso, reduzir as perdas nas redes é uma das formas mais eficientes de melhorar a sustentabilidade do abastecimento.
A importância da pressão na rede
A gestão da pressão é outro fator fundamental.
Pressões demasiado elevadas podem aumentar as perdas existentes e acelerar o desgaste das condutas.
Por outro lado, reduções abruptas ou interrupções do abastecimento exigem uma gestão cuidadosa para garantir as condições adequadas de funcionamento da rede.
Os sistemas modernos recorrem cada vez mais a:
- Sensores de pressão;
- Medidores de caudal;
- Telemetria;
- Contadores inteligentes;
- Sistemas de deteção de fugas;
- Monitorização em tempo real.
Estas tecnologias permitem localizar problemas mais rapidamente e reduzir o desperdício.
A água da rede pública é controlada
Em Portugal, a água destinada ao consumo humano distribuída pelas redes públicas está sujeita a controlo e monitorização regular.
No entanto, as características da água podem variar de região para região.
Algumas habitações podem receber água com:
- Maior dureza;
- Sabor ou odor associado ao cloro residual;
- Diferentes níveis de mineralização;
- Sedimentos provenientes das instalações interiores;
- Características específicas da origem da água.
Nestes casos, um tratamento complementar no ponto de consumo pode ser utilizado para melhorar determinadas características da água.
Ultrafiltração: uma barreira física
A ultrafiltração utiliza membranas com poros de dimensões muito reduzidas para separar determinadas partículas e microrganismos presentes na água.
Dependendo das características e certificação do sistema, pode contribuir para a remoção de:
- Sedimentos;
- Partículas finas;
- Coloides;
- Bactérias;
- Determinados microrganismos.
Uma das suas principais características é permitir a passagem de grande parte dos sais e minerais dissolvidos naturalmente presentes na água.
Quando pode ser uma boa solução?
A ultrafiltração pode ser indicada quando a água apresenta uma mineralização adequada e o principal objetivo consiste em melhorar a filtração física e microbiológica.
Pode ser particularmente interessante para água da rede quando não existe necessidade de remover sais dissolvidos.
Osmose inversa: tratamento mais profundo
A osmose inversa utiliza uma membrana semipermeável capaz de reduzir uma ampla gama de substâncias dissolvidas presentes na água.
Dependendo do sistema e das características da água, pode reduzir significativamente:
- Sais dissolvidos;
- Nitratos;
- Determinados metais;
- Dureza;
- Outros compostos de pequena dimensão.
Os sistemas domésticos incluem normalmente várias etapas de tratamento.
Uma configuração típica pode combinar:
Pré-filtração → Carvão ativado → Membrana de osmose inversa → Pós-filtração
O carvão ativado assume frequentemente um papel importante na redução do cloro antes da membrana, contribuindo também para melhorar o sabor e o odor.
Ultrafiltração ou osmose inversa?
Não existe uma tecnologia universalmente melhor.
A escolha depende da água disponível e do objetivo pretendido.
Ultrafiltração
Pode ser adequada quando se pretende:
- Remover partículas;
- Melhorar a filtração microbiológica;
- Manter grande parte dos minerais dissolvidos;
- Utilizar um sistema relativamente simples.
Osmose inversa
Pode ser mais indicada quando é necessário:
- Reduzir sais dissolvidos;
- Corrigir elevada mineralização;
- Reduzir nitratos;
- Tratar determinados metais ou outros contaminantes;
- Produzir água com um nível de purificação mais elevado.
Por isso, a análise da água deve preceder a escolha do equipamento.
Sistemas instalados no ponto de consumo
Tanto a ultrafiltração como a osmose inversa podem ser integradas em sistemas compactos instalados, por exemplo, debaixo do lava-loiça.
A água tratada pode ser disponibilizada através de uma torneira própria ou de uma torneira multifunções.
Esta solução permite tratar apenas a água destinada a:
- Beber;
- Cozinhar;
- Preparar café ou chá;
- Lavar determinados alimentos.
Desta forma, evita-se tratar toda a água da habitação quando apenas é necessária uma qualidade específica no ponto de consumo.
Menos dependência de água engarrafada
Um sistema corretamente dimensionado pode também ajudar a reduzir a utilização de água engarrafada.
Isso pode representar menos:
- Garrafas e garrafões de plástico;
- Transporte;
- Armazenamento;
- Resíduos;
- Compras recorrentes.
A utilização de uma garrafa reutilizável combinada com água tratada no próprio local constitui uma alternativa prática para muitas famílias e empresas.
O que podemos fazer enquanto consumidores?
A eficiência do sistema de abastecimento depende também da participação dos utilizadores.
Algumas atitudes simples podem ajudar:
- Comunicar fugas visíveis na via pública;
- Reparar rapidamente fugas dentro de casa;
- Acompanhar consumos anormais;
- Manter as instalações interiores em boas condições;
- Consultar informação sobre a qualidade da água da sua região;
- Fazer análises quando utiliza água de poço ou furo;
- Escolher o tratamento apenas depois de identificar o problema.
Primeiro conhecer a água, depois escolher a tecnologia
Não é necessário instalar o sistema mais complexo para obter uma boa água.
Em alguns casos, uma simples filtração pode ser suficiente. Noutros, poderá justificar-se ultrafiltração, osmose inversa, descalcificação ou uma combinação de diferentes tecnologias.
Na CleanPur avaliamos as características da água e a utilização pretendida antes de recomendar qualquer solução.
Da rede pública até à torneira existe uma longa infraestrutura que deve ser protegida e modernizada. Em casa ou na empresa, o tratamento complementar pode acrescentar uma última etapa de controlo, adaptando a água às necessidades específicas de cada utilização.