Informações úteis sobre a água

Incêndios florestais e água: o impacto menos conhecido das chamas

Quando pensamos em incêndios florestais, é comum imaginarmos árvores em chamas, nuvens de fumo e evacuações urgentes. No entanto, existe um efeito menos visível, mas igualmente preocupante: o impacto que estes incêndios têm na qualidade da água.

Como é que os incêndios afectam os recursos hídricos?

Os incêndios florestais alteram profundamente os ecossistemas das bacias hidrográficas. Ao destruir a vegetação, o solo perde a capacidade de reter água e filtrar poluentes. Isto provoca um aumento da escorrência superficial, que arrasta cinzas, sedimentos, metais pesados e compostos orgânicos para rios, albufeiras e aquíferos.

Além disso, as altas temperaturas podem libertar substâncias tóxicas presentes no solo ou em materiais queimados, como mercúrio, arsénico ou compostos nitrogenados. Estes contaminantes comprometem a potabilidade da água e dificultam o seu tratamento nas estações convencionais.

Consequências para o tratamento da água

Após um incêndio, as estações de tratamento enfrentam novos desafios. O aumento da turbidez, a presença de matéria orgânica e a proliferação de algas podem sobrecarregar os sistemas de filtração e desinfecção. Em alguns casos, foram detectados subprodutos perigosos, como os trialometanos, que se formam quando o cloro reage com certos compostos orgânicos.

Isto obriga a ajustes nos processos de tratamento, ao reforço do uso de produtos químicos ou, em situações extremas, à interrupção temporária do abastecimento de água potável em zonas afectadas.

Casos recentes e lições aprendidas

Nos últimos anos, regiões como a Califórnia, a Austrália e o sul da Europa sofreram incêndios de grande dimensão que afectaram directamente os seus recursos hídricos. Em Portugal, por exemplo, os incêndios de 2022 na região Centro provocaram um aumento significativo de sedimentos em rios como o Zêzere, dificultando o funcionamento das estações de tratamento.

Estes eventos levaram autoridades e empresas do sector hídrico a desenvolver planos de contingência, reforçar a monitorização das bacias e apostar em soluções baseadas na natureza, como a reflorestação estratégica e a recuperação de zonas húmidas.

O que podemos fazer?

A prevenção é essencial. Proteger as áreas florestais, controlar as actividades humanas em épocas de risco e promover práticas agrícolas sustentáveis são medidas fundamentais. Além disso, investir em tecnologias de tratamento avançadas — como a oxidação avançada, a ultrafiltração ou o uso de carvão activado — pode garantir a qualidade da água mesmo em situações críticas.

É igualmente importante sensibilizar a população para a ligação entre os incêndios e a água. Cada gesto conta: desde evitar fogueiras no verão até apoiar iniciativas de reflorestação.

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